Concepção, Gestação, Parto e Educação Conscientes

Este é um espaço para mulheres e homens, mães e pais, bebês e suas famílias.
É um espaço para os que gostariam de mudar o mundo e sabem que para isso precisamos mudar a nós mesmos.
É um espaço de acolhimento individual e coletivo.
É um espaço de cura sutil a partir de novas idéias, de troca de experiências, de contemplação e de ação.

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domingo, 10 de julho de 2011

Luto - Breve desabafo de uma terapeuta


Sei que pode parecer um pouco desconexo escrever sobre luto numa página sobre nascimentos, mas é que nem sempre essas coisas andam separadas.
Todo nascimento envolve em si um processo de luto. Porque o nascimento transforma, assim como a partida. Transforma meus conceitos sobre mim mesma, sobre minha vida antes do nascimento, transforma minhas concepções de mundo. O nascimento transforma minhas relações, transforma meu papel social, transforma minha atuação no mundo. Quando não transforma, tem algo de estranho.
Somos socialmente muito pouco preparados para as mudanças que novos estágios da vida trazem. Ainda mais, ou menos, se falarmos de acontecimentos inesperados. Acontecimentos fora da ordem que nós humanos, civilizados, estabelecemos para o desenrolar normal de uma vida. Este tipo de acontecimentos escancaram nosso tamanho diante da força da vida, que inclui a morte.
Culturalmente aprendemos que a morte é uma experiência longíncua que acomete os velhinhos; um erro, uma coisa a ser evitada, uma coisa sobre a qual não se pode pensar, muito menos falar. "Vira essa boca para lá!" dizemos.
Uma vez perguntaram ao Betinho: Como é saber que você vai morrer? Ele respondeu: Por que? Você não sabe que vai morrer? Não, Betinho, nós preferimos negar.
Vivemos tentando negar os limites. O dinheiro acabou? Inventamos o crédito; O corpo dá sinais de velhice? Fazemos uma plástica. A lei não permite? Damos um jeitinho. E seguimos assim, dando um jeitinho, arrumando daqui e dalí, até que a força da vida (que inclui a morte, o sofrimento, a angústia, a dor...) se mostra de forma implacável. Não existe limite mais nítido que a morte. Para nós é muito difícil lidar com este fato. Alguém que existia, fazia parte do meu dia a dia, da minha vida, de repente não existe mais! Não faz sentido, não é mesmo?
Início, meio e fim. Não tenho respostas.
Início, meio e fim. Não formulamos as perguntas corretas.

E quando quem morre é uma criança que acabou de nascer. Início, meio e fim, no mesmo instante.
Qual a pergunta correta?
Como reconfortar uma mãe, uma família inteira, que não ganhou o seu bebê tão esperado, tão amado?
...
Poucas vezes na vida eu fiquei sem palavras. Demorei mais ou menos 3 meses sem escrever, fiquei sem verdades em meio a uma inundação de sentimentos indescritíveis. O ar ficou denso... O mundo fez uma pausa... mas tudo continuou acontecendo. O Sol nasceu do mesmo jeito e continuou nascendo desde então.  O que nós (mães, pais, famílias, terapeutas, parteiras, médicos, seres humanos mais do que nunca, conscientes da finitude) aprendemos com isso?

Apesar da morte, a vida segue. Apesar da vida, a morte chega.
 

Um comentário:

  1. Queria contar que a mãe que perdeu este bebê e que me fez ficar sem palavras, ganhou outro bebê! Nasceu lindo e valente! Presente para uma família abençoada!

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